Pensamento Clínico de André Green (módulo anual):
A pulsão de destruição e o objeto em psicanálise:
contribuições de André Green e outros autores

 Argumento: Ao longo de sua obra, André Green nos oferece um paradoxo essencial para entendermos uma particularidade do seu pensamento clínico: “o objeto é revelador da pulsão”. Partindo da premissa de que os integrantes do par pulsão-objeto são indissociáveis, e dialogando com autores que ora priorizam o paradigma pulsional e ora o paradigma objetal, Green enfatiza que escolher entre um e outro é na verdade um falso dilema! Segundo ele, é errado opor as pulsões ao objeto, sendo mais correto dizer que as pulsões se manifestam de maneiras diferentes frente à presença e à ausência do objeto. Green também nos chama atenção para que a grande novidade da psicanálise contemporânea é a teorização acerca do objeto, tema – como ele nos lembra frequentemente – pouco explorado por Freud em sua obra. 

Green amplia o conceito de pulsão de morte de Freud e se diferencia dele ao defender que o termo poderia ser substituído pelo conceito de pulsão de destruição (ou destrutividade), que teria, por sua vez, uma orientação interna ou externa. Segundo Green (2002, p.299): “A psicanálise contemporânea opôs absurdamente a teoria das pulsões à das relações de objeto, quando parece evidente que o que se tem de repensar é o funcionamento psíquico na relação da pulsão com o objeto”. O modo como se dá esse funcionamento/diálogo dependerá da relação com o objeto primário que deixará a marca de objetalizações ou desobjetalizações, respectivamente associadas à meta da pulsão de vida (ligação) ou da pulsão de morte (desligamento). 

Green reformula o dualismo pulsional com o par de conceitos função objetalizante/função desobjetalizante dando um papel central ao objeto nesse constructo metapsicológico. As formulações de Green também compreendem a relação entre essas funções e os conceitos de narcisismo de vida e narcisismo de morte. No caso deste segundo, ele cunha o termo associado narcisismo negativo, tão presente nos quadros clínicos marcados pelo desinvestimento radical, como a  melancolia, as somatizações e as compulsões, além do vasto território dos casos-limite.

 

A proposta e o objetivo deste módulo, apesar da amplitude do tema, consistirão em uma curadoria de textos de Green com o propósito de investigar a articulação dos conceitos apresentados acima com aportes de outros autores, para refletirmos sobre o objeto em psicanálise e suas funções. Vamos ler textos de Donald Winnicott, Cristopher Bollas e Decio Gurfinkel, e de comentadores da obra de Green como Fernando Urribari, Talya Candi, Luis Cláudio Figueiredo, Mona Wingrad e Isadora Tostes, entre outros. Temos convicção de que o assunto não se encerra neste módulo, em virtude da extensa pesquisa a ele relacionada.

Conceitos/tópicos que investigaremos:

  • Pulsão de morte (pulsão de destruição)
  • O duplo limite e o trabalho do negativo (uma introdução)
  • Trabalho do negativo estruturante x desestruturante
  • Estrutura enquadrante e a alucinação negativa 
  • Função objetalizante x função desobjetalizante
  • Narcisismo de vida x narcisismo de morte (narcisismo negativo)
  • O uso do objeto
  • A função múltipla do analista

 

Horário: terças-feiras, das 10:00 às 12:00 horas (vide cronograma abaixo)
Investimento: R$ 260,00 – mensal
Primeiro semestre: total de quatro parcelas – 10/02; 10/04; 10/05; 10/06
Segundo semestre: total de cinco parcelas – 10/08; 10/09; 10/10; 10/11; 10/12
Início: 25 de fevereiro de 2025

Textos: 1º semestre 2025 (total de 8 encontros)

25/02 - Encontro 1 – Introdução e objetivos do módulo; combinados do grupo e leitura de Prefácio – André Green: pensar a destrutividade, recriar em psicanálise

18/03 - Encontro 2 - Pulsão de morte, narcisismo negativo, função desobjetalizante; exercício clínico

01/04 - Encontro 3 - O trabalho do negativo em pulsão de morte e o trabalho do negativo – Capítulo 2

15/04 - Encontro 4 - Narcisismo e relação de objeto: revisão teórica; El psicoanánlisis, su objeto, su porvenir; exercício clínico

20/05 - Encontro 5 - El psicoanánlisis, su objeto, su porvenir 

05/06 - Encontro 6 - El psicoanánlisis, su objeto, su porvenir; exercício clínico

17/06 - Encontro 7 - Del objeto no unificable a la función objetalizante

01/07 - Encontro 8 Del objeto no unificable a la función objetalizante

Textos: 2º semestre 2025 (total de 10 encontros)

05/08 - Encontro 1 - El objeto y la función objetalizante

19/08 - Encontro 2 - El objeto y la función objetalizante 

02/09 - Encontro 3 - El objeto y la función objetalizante; exercício clínico

16/09 - Encontro 4 – O uso do objeto

30/09 - Encontro 5 - A função múltipla do psicanalista; exercício clínico

14/10 - Encontro 6 - A função múltipla do psicanalista

28/10 - Encontro 7 - Winnicott e Bollas: relações, self e uso do objeto; exercício clínico

01/11 - Encontro 8 - O uso Bollas do objeto Winicott: uma epistemologia transformacional

25/11 - Encontro 9 - Lendo André Green: O trabalho do negativo e o paciente-limite

09/12 - Encontro 10 - Lendo André Green: O trabalho do negativo e o paciente-limite; exercício clínico

Bibliografia

BOLLAS, CRISTOPHER; A função múltipla do psicanalista em Forças do destino – psicanálise e idioma humano – parte I, capítulo 5 (2021); Editora Escuta, São Paulo, 2021

CANDI, TALYA; Narcisismo e relação de objeto: revisão teórica em O duplo limite: o aparelho psíquico de André Green, p. 229-237 (2020); Editora Escuta, São Paulo, 2020

GREEN, ANDRÉ; El psicoanánlisis, su objeto, su porvenir em La metapsicologia revisitada – capítulo VII (1996); Editora Eudeba, Buenos Aires, 1996

GREEN, ANDRÉ; Del objeto no unificable a la función objetalizante em La metapsicologia revisitada – capítulo VIII (1996); Editora Eudeba, Buenos Aires, 1996

GREEN, ANDRÉ; El objeto y la función objetalizante em La metapsicologia revisitada – capítulo IX (1996); Editora Eudeba, Buenos Aires, 1996

GREEN, ANDRÉ; Pulsão de morte, narcisismo negativo, função desobjetalizante em O trabalho do negativo – capítulo 4 (2010); Editora Artmed, Porto Alegre, 2010

GURFINKEL, DECIO; Winnicott e Bollas: relações, self e uso do objeto em Por que Bollas – capítulo 1 ; Editora Zagodoni, São Paulo, 2024 

GURFINKEL, DECIO; O uso Bollas do objeto Winicott: uma epistemologia transformacional em Por que Bollas? – capítulo 2; Editora Zagodoni, São Paulo, 2024 

FIGUEIREDO, L.C.; CINTRA, ELISA ULHOA; Lendo André Green: O trabalho do negativo e o paciente limite (2004) – Editora Escuta, São Paulo, 2004

URRIBARI, FERNANDO; Prefácio – André Green: pensar a destrutividade, recriar em psicanálise, em Por que as pulsões de destruição ou de morte? (2022); Editora Blucher, São Paulo, 2022

WINNICOTT, DONALD; O uso do objeto e a relação por meio de identificações em O brincar e a realidade; Editora Ubu, São Paulo, 2019

WINOGRAD, MONAH; TOSTES, ISADORA; O trabalho do negativo em Pulsão de morte em O trabalho do negativo – uma introdução – capítulo 2 (2019); Editora e Livraria Appris, Curitiba, 2019

 

Leitura complementar:

GREEN, ANDRÉ; La muerte em vida. Algunos referentes para la pulsión de muerte, em El pensamiento clínico (2002); Amorrortu editores S.A., Buenos Aires, 2014

GREEN, ANDRÉ; Preãmbulo – parte 1. Fundações em Por que as pulsões de destruição ou de morte? (2022); Editora Blucher, São Paulo, 2022

URRIBARI, FERNANDO; A função simbolizante do analista (ou como se tornar um psicanalista contemporâneo) em Por que Green? – capítulo 6; Editora Zagodoni, São Paulo, 2022

Facilitador:

Michael Reuben – Psicólogo (CRP/SP 06/57138). Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Psicólogo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Aprimoramento em psicologia clínica (PUC-SP). Aperfeiçoamento pelo curso “Clínica Psicanalítica: Conflito e Sintoma”, do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Participou de grupos de estudos com Fernando Urribarri. Participou de grupos de estudos sobre a obra de Green com Talya Candi. Membro da Gesto Psicanálise. Atua na clínica psicanalítica de adolescentes, adultos e casais. Idealizador e um dos coordenadores do Projeto Pensamento Clínico: pensamentoclinico.com